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	<title>Campanha Latino-Americana pelos Bons Tratos da Criança &#187; Artigos</title>
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		<title>(Não) Santa Cruz das Crianças</title>
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		<pubDate>Mon, 17 May 2010 11:16:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>lissander</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[violência doméstica]]></category>

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		<description><![CDATA[Todos nós conhecemos crianças que se tornaram adultos prematuramente. Vivem ao nosso redor. Sobrevivem.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><!-- 		@page { margin: 2cm } 		P { margin-bottom: 0.21cm } --><span style="color: #111111"><span style="font-size: x-small"><em>Por Alfonso Wieland<br />
</em></span></span><span style="color: #111111"><span style="font-size: x-small">Santa Cruz de la Sierra, 01 de Maio 2010</span></span><span style="color: #111111"><span style="font-size: x-small"><br />
</span></span></p>
<p><span style="color: #111111">Visitei um bairro que está perto do anel 5 da cidade boliviana de Santa Cruz. São 11 da manhã de uma quarta-feira e o que me chama atenção são jovens entulhados em “cybercafés” precários, jogando em computadores ultrapassados. Aqui não existe delegacia de polícia e há somente um colégio. Um pastor brasileiro, que exerce o ministério neste bairro, pede que façamos uma visita a Blanca e seus três filhos pequenos. De um barraco precário, saem ela e as crianças.</span></p>
<p><span style="color: #111111">Santa Cruz de la Sierra é uma importante cidade da Bolívia. Em termos de população, é maior que La Paz e El Alto, com quase dois milhões de habitantes. Em 1976, a população chegava a 325 mil pessoas. Migrantes de diferentes pontos da Bolívia chegaram em busca de terras, mas principalmente, procurando aproveitar o crescimento econômico provocado pela exploração de petróleo, a construção e a agroindústria. É por isso que a população se dedica a serviços terciários e a informalidade chega a quase 60%.</span></p>
<p><span style="color: #111111">Santa Cruz concentra populações de origens diferentes: descendentes de espanhóis, da etnia guarani, quéchuas, aymaras etc. E também migrantes de outras partes do mundo: alemães, italianos, iugoslavos, brasileiros, japoneses, chineses, libaneses, palestinos.</span></p>
<p><span style="color: #111111">Como muitas cidades sul-americanas, Santa Cruz materializa os contrastes da concentração de riqueza em poucas mãos e a grande quantidade de gente pobre, que sobrevive com parcos salários.</span></p>
<p><span style="color: #111111">Desenhada por anéis que cortam a cidade em até seis zonas, Santa Cruz pode surpreender por seus grandes edifícios localizados a pouca distância de bairros pobres. Os contrastes são refletidos também na falta de segurança, que afeta principalmente crianças e mulheres em situação de pobreza.</span></p>
<p><span style="color: #111111">Blanca é uma mulher de 32 anos de idade, tem o olhar retraído e uma fala entrecortada. Angie é sua filha mais velha, de apenas 12 anos. Seus outros dois filhos parecem ter entre 7 e 10 anos. O pastor pede que Blanca conte a sua história. “Casei apaixonada, impressionada com a forma como ele falava, com sua maneira de ajudar a outras pessoas, seu aparente amor pelas famílias que sofriam”, disse. “Mas um dia percebi que ele me enganava com outra mulher. O enfrentei e disse que a Bíblia diz: “Ninguém pode servir a dois senhores” e, portanto, tampouco a duas senhoras. Mas ele não levou em conta o que eu disse, respondeu que ele era um servo do Senhor e que a outra mulher o fazia feliz </span><span style="color: #111111"><span style="font-family: Times New Roman,serif">̶</span></span><span style="color: #111111"> e eu não”, menciona com dor. Continua contando que a partir desse dia ele começou a maltratá-la física e verbalmente. Ela pedia que ele fosse embora, que a deixasse cuidar dos filhos sozinha. Depois ficou sabendo que ele não andava só com uma mulher, mas com várias, todas cooptadas na igreja que ele apoiava como co-pastor. Cansada, Blanca decide falar. Pede uma entrevista com os líderes da igreja evangélica e conta a eles a sua história. Eles terminam dizendo: “Você tem que ter paciência, reconciliar-se com ele. Ele tem um ministério para cuidar”. À medida que vai falando, suas pernas começam a tremer e ela olha cada vez mais para baixo. Angie, a menina, diz com voz firme: “Fica tranquila, mãe. Tranquila. Esse homem nunca mais vai colocar a mão em você. Eu vou cuidar da senhora”.</span></p>
<p><span style="color: #111111">Então Angie continua a conversar. Um dia, o homem chegou furioso em casa </span><span style="color: #111111"><span style="font-family: Times New Roman,serif">̶</span></span><span style="color: #111111"> estava incomodado com tudo e com todos. Quis maltratar seus irmãos e Blanca o impediu. Descontrolado, o péssimo esposo pegou um ferro e golpeou Blanca várias vezes na cabeça, deixando-a desmaiada. Angie só se lembra que saiu para pedir ajuda. Levaram sua mãe ao hospital. Sem dinheiro e com o apoio de vizinhos, pôde livrar-se da morte, mas as sequelas foram definitivas. O esposo fugiu. Hoje Blanca só sabe que o tipo continua vinculado a um grupo religioso. Desde essa ocasião, Blanca quase enlouqueceu. Andava seminua na rua, comia excremento e às vezes dormia em carros abandonados. Chegou a pesar 42 quilos. Angie, quando a encontrava, literalmente a arrastava até em casa. Em uma ocasião, membros de um grupo religioso a encontraram na rua e pensaram que a melhor maneira de ajudá-la era exorcizá-la. Levaram-na para a igreja e, com gritos, golpes no rosto e fazendo-a revirar no barro, tentaram em vão expulsar os demônios que supostamente a escravizavam. Finalmente, Angie pode tirá-la desse culto absurdo à vaidade religiosa.</span></p>
<p><span style="color: #111111">Meses depois, chegou no bairro o pastor brasileiro. Com cuidado e amor pelas pessoas do lugar, formou um grupo de estudo da Bíblia. Ali conheceu Blanca, Angie e outras famílias e crianças abandonadas. Foi então que canalizou ajuda médica e humanitária para Blanca. O caso dela o sensibilizou e a partir desse momento começou a enfatizar a necessidade de que o evangelho traga justiça a mulheres como Blanca.</span></p>
<p><span style="color: #111111">“Angie, você tem muita força dentro de você. Você </span><span style="color: #111111">crê em Deus?”, pergunto a ela com vergonha. </span><span style="color: #111111">Sorrindo, com alegria, ela responde que sim. Mas volta a afirmar: “Esse homem nunca mais vai encostar a mão na minha mãe. Ele é ruim, até vendeu um dos meus irmãos a uma tia que não podia ter filhos”. Eu a olho e sei que, no caminho, as circunstâncias obrigaram essa menina a ser adulta. A ser mãe da mãe, mãe dos irmãos, mãe de si mesma. Alguns pesquisadores mencionam que a etapa de formação dos sentimentos é entre os 7 e os 14 anos. Crianças como Angie tiveram de pular etapas, fazerem-se de fortes, minimizar seus sentimentos e enfrentar responsabilidades que não são para elas. É a morte da infância nas mãos da deserção dos adultos. Todos nós conhecemos crianças que se tornaram adultos prematuramente. Vivem ao nosso redor. Sobrevivem.</span></p>
<p><span style="color: #111111">Santa Cruz é um testemunho de como mulheres e crianças tem de carregar uma cruz pesada sobre  si todos os dias. </span><span style="color: #111111">Cruz de dor e temor. </span><span style="color: #111111">De acordo com as estatísticas oficiais, na Bolívia, em cada cem matrimônios, quatorze mulheres sofreram lesões sérias (feridas e fraturas) nas mãos de seus esposos ou companheiros. Na Bolívia, o departamento de Santa Cruz apresenta a taxa mais alta de violência sexual contra crianças.</span></p>
<p><span style="color: #111111">Os meios de comunicação ressaltam notícias que fazem referência à violência provocada pela delinquência comum, as guerras ou o terrorismo. Hoje sabemos que a violência intrafamiliar causa a morte de mais pessoas do que os conflitos armados e as guerras civis. Essa violência que acontece por trás das portas dos lares é um delito contra a humanidade; e é de interesse público. A sociedade política e civil e as igrejas não podem mais ignorar essa realidade. A luta quase solitária empreendida há décadas, principalmente por pessoas e grupos vinculados a setores feministas, intelectuais progressistas e minorias religiosas, não pode mais continuar assim. Tem de ser uma luta maciça, frontal, definitiva.</span></p>
<p><span style="color: #111111">Não devemos mais tolerar condutas justificadas por textos mal interpretados da Bíblia, usados para apoiar a violência física, psicológica e sexual contra as mulheres. O poder mal usado contra mulheres e crianças é uma injustiça que Deus abomina. Aqueles que se dizem cristãos não podem tolerar histórias como as de Blanca e Angie. Chega de cruzes para elas. Basta. </span></p>
<p><span style="color: #111111"><span style="font-size: x-small"><br />
</span></span></p>
<p><span style="color: #111111"><span style="font-size: x-small">______________________________________________________________________________________________________<br />
</span></span>Alfonso Wieland é advogado no Peru e diretor de programas  internacionais da <em>Asociación Paz y Esperanza</em> (<a href="http://www.pazyesperanza.org/">www.pazyesperanza.org</a>),  organização cristã de direitos humanos e desenvolvimento comunitário que  ele ajudou a fundar em 1996. Ele é graduado em Direito pela <em>Universidad  Nacional Mayor de San Marcos</em>, em Lima, e tem pós-graduação em  Sociologia pela <em>Pontificia Universidad Católica</em> do Peru e em  Teologia pelo <em>London Institute for Contemporary Christianity</em>. É  parte, desde 2001, do comitê de coordenação internacional da Rede  Miquéias; é casado, tem dois filhos e é membro da Igreja Aliança Cristã e  Missionária.<span style="color: #111111"><span style="font-size: x-small"> </span></span></p>
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		<title>Disciplina negativa, disciplina positiva, disciplina engraçada&#8230;</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Apr 2010 17:24:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>lissander</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[disciplina]]></category>

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		<description><![CDATA[Meu filho André esta há, pelo menos, 2 horas lavando as louças. Neste período, além de "lavar as louças", ele fez um bocado de palhaçada para os dois mais novos rirem, convenceu seu pai de que não é problema deixar comidas na mesa porque na verdade nós queremos criar ratos porque eles são bonitinhos...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><!-- 		@page { margin: 2cm } 		P { margin-bottom: 0.21cm } 		H3 { margin-bottom: 0.21cm } --><em> </em></p>
<div id="attachment_294" class="wp-caption alignleft" style="width: 160px"><em><em><a href="http://maosdadas.org/rede/bons-tratos/files/2010/04/andre_gilbert_site.jpg"><img class="size-thumbnail wp-image-294" title="andre_gilbert_site" src="http://maosdadas.org/rede/bons-tratos/files/2010/04/andre_gilbert_site-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a></em></em><p class="wp-caption-text">André Gilbert: bom humor em sua insolência</p></div>
<p><em>Por Elsie Gilbert*</em></p>
<p>Meu filho André esta há, pelo menos, 2 horas lavando as louças. Neste período, além de &#8220;lavar as louças&#8221;, ele fez um bocado de palhaçada para os dois mais novos rirem, convenceu seu pai de que não é problema deixar comidas na mesa porque na verdade nós queremos criar ratos porque eles são bonitinhos, tirou uma soneca na cama dos pais, supervisionou uma conversa entre mãe e irmão mais velho sobre toalhas molhadas, e de forma geral conduziu várias outras atividades que se enquadram na categoria: <em>enrolation!</em></p>
<p>Agora, já no fim da minha paciência eu perguntei se ele poderia escrever um artigo sobre “Como demorar duas vezes mais do que o tempo necessário para realizar uma atividade.” Ao que ele respondeu: “Oh, mãe, assim você me humilha. Eu sou capaz de demorar muito mais do que o dobro!”</p>
<p>Talvez em tempos remotos isto era considerado insolência. Eu prefiro colocar na conta do convívio bem humorado. Só que se amanhã aquela louça não estiver lavada&#8230; aí ele vai ter de acertar as contas comigo. Até lá, dou-lhe uma boa noite e desejo-lhe uma feliz lavação de pratos.</p>
<p>A propósito, estou traduzindo um material sobre disciplina positiva e disciplina negativa. É muito prático e interessante. Assim que acabar vamos oferecê-lo aqui em PDF para quem desejar baixar. No momento estou praticando a disciplina engraçada&#8230; Conte-nos o seu caso, aposto que você tem várias histórias como esta para compartilhar.</p>
<p><em>*Elsie Gilbert é jornalista e editora da revista Mãos Dadas.</em></p>
<p>_______________________________________________________________________________________________________</p>
<p>Artigo originalmente publicado no blog <a href="http://www.maosdadas.org/cantodaescuta">Canto da Escuta</a></p>
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		<title>Apego: a linguagem de amor entre pais e filhos</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Apr 2010 16:52:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>lissander</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O mais importante sobre o apego é descobrir o que pode aumentá-lo ou diminuí-lo. Se soubermos isto, poderemos ajudar as pessoas a nutrir um amor mais profundo por seus filhos e, como consequência, estaremos aumentando o nível de proteção e segurança das crianças.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><!-- 		@page { margin: 2cm } 		P { margin-bottom: 0.21cm } 		H3 { margin-bottom: 0.21cm } --><em>Por Elsie Gilbert*</em></p>
<p>A pergunta que qualquer pessoa contemplando a adoção não pode evitar é &#8220;Sou capaz de amar esta criança da mesma forma que amo ou amaria a um filho biológico?&#8221;.</p>
<p>Esta pergunta indica o que é esperado de nós, mães e pais. Acreditamos que um pai ou uma mãe tem por seu filho ou filha um amor diferente, mais intenso, mais comprometido. Cremos que este amor é distinto do que temos por outras crianças ao nosso redor (filhos de nossos amigos, sobrinhos, alunos, etc).</p>
<p>O C.S. Lewis no livro &#8220;Os Quatro Amores&#8221; fala deste amor. Ele diz que há um paradoxo nesta relação porque o amor da mãe é <em>amor-doação</em> enquanto que o do bebê é <em>amor-necessidade</em>. Mas que, ao mesmo tempo, o amor da mãe também é <em>amor-necessidade</em>. Ela precisa ser amada pelo bebê, ela precisa de ser precisada!</p>
<p>A Bíblia está impregnada de referências a este amor. Por exemplo, Jesus declara que queria ter reunido seu povo como uma galinha reúne seus pintinhos debaixo de suas asas. Este amor nos parece tão natural que nos chocamos quando vemos uma mãe ou um pai darem demonstrações de que não o têm.</p>
<p>Há uns 60 anos, a partir do trabalho de um psiquiatra inglês chamado John Bowlby, pesquisadores começaram a estudar como este amor é desenvolvido, não apenas do ponto de vista dos pais pelos filhos, mas também dos filhos para com os pais. A este processo eles deram o nome de <strong>apego</strong>.</p>
<p>Para mim, o mais importante sobre o apego é descobrir o que pode aumentá-lo ou diminuí-lo. Se soubermos isto, poderemos ajudar as pessoas a nutrir um amor mais profundo por seus filhos e, como consequência, estaremos aumentando o nível de proteção e segurança das crianças. Os pesquisadores descobriram, por exemplo, que um dos fatores mais importantes para que o apego se desenvolva bem é a <span style="text-decoration: underline">capacidade do adulto de conseguir satisfazer as necessidades do bebê</span>.</p>
<p>Há situações em que esta capacidade é ameaçada ou diminuída e muitas vezes estas ameaças são externas aos pais, não internas. Então antes de &#8220;jogar pedras&#8221;, precisamos perguntar: &#8220;O que aconteceu aqui para o que o vínculo fosse quebrado ou enfraquecido? O que nós podemos fazer para fortalecê-lo?”</p>
<p>Portanto, o próximo passo é descobrir o que é o apego, como ele se desenvolve e o que exatamente podemos fazer para fomentá-lo!</p>
<p><em>*Elsie Gilbert é jornalista e editora da revista Mãos Dadas.</em></p>
<p>_______________________________________________________________________________________________________________<span style="color: #000000"><br />
</span></p>
<p>Artigo originalmente publicado no blog <a href="http://www.maosdadas.org/cantodaescuta">Canto da Escuta</a></p>
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		<title>A epidemia dos maus-tratos e nossa luta contra ela</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Apr 2010 18:53:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>lissander</dc:creator>
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		<category><![CDATA[adolescente]]></category>
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		<description><![CDATA[O bom trato é um reflexo da nossa atitude para com Deus, e para com a sua obra-prima, o ser humano. Tratamos bem uma pessoa porque reconhecemos nela o toque de Deus e a valorizamos, queremos o seu bem-estar. O bom trato para com a criança é reconhecer em cada uma esta pessoa tocada de forma única pelo próprio Deus!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Por Elsie Gilbert</em>*</p>
<p>Imagine se você pudesse entrevistar os adolescentes de todas as escolas  da sua cidade para descobrir como e quais problemas enfrentam e de que  forma imaginam o futuro. Foi exatamente isto que a pesquisadora Simone  de Assis, doutora em saúde pública, fez. Ela conduziu em 2002 e 2003 uma  pesquisa em São Gonçalo, RJ, que entrevistou estudantes de escolas  públicas e particulares do 8º e 9º anos do ensino fundamental e da 1ª e  2ª séries do ensino médio. Veja o que ela descobriu:<br />
<em><em></em></em></p>
<p><em><em>- Os resultados</em><em> deixam clara a elevada frequência com que  a violência o</em><em>corre no âmbito da família e das pessoas próximas  aos adolescentes. Quase um quinto desses jovens sofre agressões  severas, que envolvem </em><em>chutes, mordidas, espancamento e até  ameaças com arma de fogo ou faca.</em><em><br />
- Quanto à violência  psicológica, cerca da metade dos adolescentes convive com </em><em>ela  direta ou indiretamente.<br />
- Os adultos os humilham, não os elogiam  quando agem corretamente e não os estimulam para os desafios que  precisam enfrentar. Também quase um quinto desses adolescentes já passou  por experiências sexuais traumáticas ou perturbadoras; já testemunhou  violência sexual sofrida por algum membro da família; já teve medo de  sofrer violência sexual quando um dos pais estava sob efeito de álcool  ou drogas; e já se envolveu em relação sexual com os pais.¹</em></em></p>
<p>Os adolescentes de sua cidade vivem melhor do que os de São Gonçalo?  Temos uma verdadeira epidemia de maus-tratos contra a criança e o  adolescente no Brasil e no mundo. A violência é um problema geral,  difícil de vencer e que conta com raízes profundas na cultura  brasileira.</p>
<p>Erradicamos a poliomielite e o sarampo no Brasil.  Como? Identificando os inimigos, criando vacinas e vacinando todo o  Brasil. Ao declararmos guerra contra a violência é certo que, em vez de  lutar contra vírus, teremos de enfrentar nossos próprios conceitos,  desejos egoístas e maus hábitos. Esta é uma tarefa bem mais complexa,  mas não há outro remédio!</p>
<p>Como será a vacina contra os  maus-tratos? Derrotamos maus-tratos com bons tratos! Temos de encarar os  bons tratos como meio de prevenção e proteção de nossas crianças. Para  tanto, o primeiro passo é estudar a fundo o que são maus-tratos. Como  acontecem? O que fazer para diminuir sua prática?</p>
<p><strong>O que  são maus-tratos</strong><br />
Maltratamos um objeto quando deixamos que  ele estrague. Não tomamos o cuidado para que ele não quebre, não  desbote, não enferruje. Maltratar uma pessoa é não perceber o seu valor,  é desprezá-la, atitude muito pior que o desprezo por um objeto.  Maltratar uma criança é tratá-la como se ela não existisse, falando por  ela, olhando por cima dela, usando o toque para coagi-la, e não para  expressar afeto. Maltratar uma criança é não perceber nela uma obra  criada pelos dedos de Deus e a partir do seu coração. Muitas vezes  agimos assim sem intenção de maltratar, mas a verdade é que isto abre as  portas para os maus-tratos intencionais. Se ninguém dá valor, ninguém  vai se incomodar ao ponto de agir em favor daquela criança. Estão  criadas assim as condições para que o abuso e a violência se estabeleçam  de forma perversa.</p>
<p><strong>O que são bons tratos</strong><br />
Os  bons tratos anulam os efeitos dos maus-tratos e minam a violência. Ao se  tratar bem alguma coisa, cuidamos para que qualquer ameaça contra ela  seja enfrentada. Fazemos isto porque reconhecemos o valor daquele objeto  e desejamos preservá-lo. O bom trato é sempre intencional.</p>
<p>Quanto  às pessoas, o bom trato é um reflexo da nossa atitude para com Deus, e  para com a sua obra-prima, o ser humano. Tratamos bem uma pessoa porque  reconhecemos nela o toque de Deus e a valorizamos, queremos o seu  bem-estar. O bom trato para com a criança é reconhecer em cada uma esta  pessoa tocada de forma única pelo próprio Deus!</p>
<p>O bom trato  implica na disposição em lutar pelos direitos de cada criança e  adolescente como parte do compromisso que temos em garantir uma vida  digna, uma vida plena para eles.</p>
<p><strong>Como vacinar todo mundo?</strong><br />
Sendo  os bons tratos a própria vacina contra os maus-tratos, a nossa tarefa  consiste em impregnar todos os ambientes sociais com ela. Que fatores  favorecem os bons tratos? Trabalharmos para transformar cada ambiente em  um lugar acolhedor. Onde há luz, não há trevas; onde há limpeza, a  sujeira desaparece; onde se praticam os bons tratos, os maus-tratos se  tornam impraticáveis.</p>
<p>A casa, a escola, o projeto social e a  igreja precisam da ação transformadora dos valores do reino de Deus. À  medida que estes valores ganham espaço, os conceitos que sustentam o  comportamento agressivo são confrontados e banidos. Um aviso: este  trabalho é mais difícil do que parece. Valores e conceitos gostam de se  esconder, intenções impuras preferem morar nas sombras. Assim como na  luta contra o sarampo ou a pólio, é preciso insistir, repetir e  persistir na ação de combate!</p>
<p>Podemos e devemos impregnar todos  os espaços com os valores do reino de Deus. E nestes ambientes as  crianças serão tratadas com amor, alegria, paz, paciência, amabilidade,  bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio.</p>
<p>Portanto, mãos à  obra! As crianças e os adolescentes da sua cidade agradecem.</p>
<p><em>*Elsie Gilbert é jornalista e editora da revista Mãos Dadas.</em></p>
<p><strong>Nota</strong><br />
1. AZEVEDO, Maria Amélia, GUERRA, Viviane N. de  Azevedo. Violência doméstica contra crianças e adolescentes: um cenário  em desconstrução. In: UNICEF. <a href="http://www.maosdadas.org/?pg=show&amp;registro=525&amp;util=1" target="_self"><em>Direitos  negados: a violência contra a criança e o adolescente no Brasil</em></a>.  UNICEF: Brasília, 2006.</p>
<p><em>Texto originalmente publicado na revista <a href="http://www.maosdadas.org/?pg=show_artigos&amp;area=revista&amp;artigo=393&amp;sec=228&amp;num_edicao=24&amp;util=1">Mãos Dadas nº 24</a> (março/2010).</em></p>
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		<title>Jesus e o direito básico de ser criança</title>
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		<pubDate>Fri, 08 Jan 2010 18:39:35 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Há direitos básicos à vida. Mas, muitas de nossas crianças estão sendo privadas dessas necessidades tão essenciais à vida. Por Carlos Queiroz]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em><br />
por Carlos Queiroz*</em></p>
<p>Há direitos básicos à vida. Todo animal precisa de abrigo, proteção, alimento e água para viver – seja um ninho para as aves, uma toca para as raposas. Muitas de nossas crianças estão sendo privadas dessas necessidades tão essenciais à vida animal.</p>
<p>Olhando a vida de Jesus, percebemos o quanto esses direitos básicos lhe foram propiciados. Ele teve o direito de viver em família. Nasceu num lar pobre, mas desfrutou do acolhimento amoroso de seus pais, que sonharam com a sua chegada (Lc 2.21). Jesus teve direito à cidadania – tinha um nome e uma identidade vinculada com a cidade natal, Belém (Mt 2.6). Gostaria de dizer a todos os pais o quanto é importante receber com amor uma criança recém-nascida! Sou o exemplo de um menino que nasceu num barraco de pau-a-pique, mas que foi acolhido com muito carinho. Podemos propagar melhor para os pais e mães de nossas comunidades o quanto eles podem amar do mesmo modo que Maria e José amaram a Jesus.</p>
<p>Ele desfrutou de todas as celebrações destinadas às crianças de sua cultura. Foi apresentado no templo sem qualquer discriminação. O sacerdote Simeão o recebeu como príncipe e celebrou poeticamente a chegada do Messias. As festas judaicas também fizeram parte da vida de Jesus. Na adolescência foi a Jerusalém como de costume: “Todos os anos seus pais iam a Jerusalém para a festa da Páscoa” (Lc 2.41). Numa dessas ocasiões, Jesus estava com 12 anos de idade. Ele teve o direito de conversar com autoridades importantes, que não impediram um adolescente de ter acesso aos seus conhecimentos e diálogos. Jesus os ensinou e fez perguntas. O verso 47 diz que eles estavam maravilhados com o seu entendimento e as suas respostas. Qual o espaço para perguntas e questionamentos de crianças e adolescentes em nossos ambientes religiosos? Como eles participam de nossos diálogos e de nossa liturgia?</p>
<p>Jesus teve o direito e o privilégio de participar de uma comunidade que inspirava confiança e tranqüilidade aos pais. Eles foram à festa em Jerusalém, mas somente depois de um dia de caminhada Maria e José perceberam que Jesus não estava entre eles. Vieram encontrá-lo depois de três dias. O que gerava tanta confiança nos pais? Por que não se preocuparam antes em saber se o menino vinha com eles? O verso 44 responde: “Pensando que ele estava entre os companheiros de viagem, caminharam o dia todo”. Fico muito feliz quando escuto histórias de pais que trabalham durante todo o dia, mas que sabem que em suas comunidades há um lugar de apoio seguro para seus filhos. Algumas vezes numa quadra com atividades esportivas, outras no salão de uma igreja participando de cursos ou de recreação etc. Como sociedade civil organizada precisamos exigir dos órgãos públicos esses direitos de segurança, lazer e socialização para nossas crianças e nossos adolescentes. Devemos mudar a cultura de violência nos bairros das grandes cidades. Grupos criminosos organizados passaram a formar líderes jovens nas comunidades. Precisamos devolver às nossas crianças o direito de escolher outros tipos de liderança capazes de amar, pacificar e viver com solidariedade.</p>
<p>“Jesus ia crescendo em sabedoria, estatura e graça diante de Deus e dos homens” (v. 52). A sabedoria é fomentada quando há um ambiente favorável ao aprendizado. O crescimento em estatura depende da boa alimentação, do cuidado com a saúde. E o crescimento em graça diante de Deus e das pessoas depende da chance de praticar uma espiritualidade de comunhão com ele e com os homens. O que estamos fazendo para que as nossas crianças tenham acesso ao conhecimento e cresçam em estatura e graça diante de Deus e das pessoas?</p>
<p>* Carlos Queiroz, casado, dois filhos, é pastor da Igreja de Cristo e professor do Seminário Teológico de Fortaleza, CE. É diretor-executivo da Visão Mundial no Brasil e autor de <a href="http://www.ultimato.com.br/?pg=show_livros&amp;util=1&amp;registro=160" target="_blank">Ser É o Bastante; felicidade à luz do Sermão do Monte</a> (Editora Ultimato e Encontro Publicações).</p>
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<em>Publicado originalmente na revista <a href="http://www.maosdadas.org/?pg=revista&amp;area=revista&amp;num_edicao=17" target="_self">Mãos Dadas nº 17</a> (maio/2007)</em></p>
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		<title>Lugar de criança é na igreja</title>
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		<pubDate>Fri, 08 Jan 2010 18:30:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>tabata</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Nossas crianças precisam ser mais amadas e acolhidas. Primeiro de tudo, depende de nossa atitude e compreensão sobre a importância das crianças. Por Carlos Queiroz]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>por Carlos Queiroz*</em></p>
<p>Há um lema em nossa igreja: “Acolhidos por Deus, acolhendo pessoas”. Ainda fazemos muito pouco, mas já ouvimos bons testemunhos. Temos feito o possível para tornar o ambiente mais agradável para as crianças. Às vezes sou chamado de “pivete”. Não é um apelido, mas uma forma de acolhimento carinhoso de quem me percebe igual.</p>
<p>Lara, 9 anos, continua me chamando carinhosamente de “patô”. Diz que gosta de cantar junto com outras crianças lá na frente da igreja, de participar das peças de teatro, e confessa: “Eu gosto mesmo quando tem comida&#8230; Até o Pedrinho meu irmão pequenininho, quando tem comida, ele pega com as duas mãozinhas e come rindo”. Na ótica da Lara, todo mundo gosta quando tem comida.</p>
<p>Nossas crianças testemunham gostar de receber atenção e carinho. Há outras falas interessantes. Tiago, 8 anos, me disse que “não gosta do culto dos adultos”. E ele reclama da bagunça das crianças no culto. Mateus, 11 anos, disse o quanto se sente bem com as aulas sobre a Bíblia, não sabe como poderia ser melhor, mas nos recomendou fazermos as coisas mais diferentes. Ele gosta de correr depois do culto com os amiguinhos, mas reclama que o único lugar para fazer isso é no salão de cultos, o que gera reclamações dos adultos. Levi, quando tinha 4 anos, trazia sua “guitarra” aos domingos para tocar com o grupo de louvor de nossa igreja. Uma vez reclamou de minhas ausências. Perguntou-me se eu havia mudado de igreja.</p>
<p>Durante a celebração da ceia, nossa comunidade vai à frente para pegar o pão e o vinho. As crianças participam desse momento com sinais de avidez e devoção. Na pequena comunidade de crianças que se reúnem em minha casa, elas comem pão e tomam suco de laranja. É a liturgia da vida com elementos pedagógicos diferentes, nos ensinando sobre amor, acolhimento, solidariedade, partilha. Afinal, a igreja em Jerusalém partia o pão de casa em casa. Eu não acredito que as crianças ficassem com fome&#8230; Honestamente entendo quando elas são excluídas das nossas burocracias religiosas. Com tanta complexidade não cabe a singeleza das crianças.</p>
<p>Já fiz celebrações de ceia onde as crianças serviram as pessoas. As crianças se sentem participantes do Corpo de Cristo quando têm acesso a momentos assim. Em uma ocasião na Igreja Batista de Bultrins (Olinda, PE), quando menos esperei, sem nenhuma orientação, as crianças assumiram as tarefas geralmente atribuídas exclusivamente a diáconos ou diaconisas.</p>
<p>Nossas crianças precisam ser mais amadas e acolhidas. Primeiro de tudo, depende de nossa atitude e compreensão sobre a importância das crianças. Jesus disse que elas são as pessoas prioritárias em seu reino. Se a igreja é uma expressão do reino de Deus, as crianças possuem a primazia neste reino. Além do ambiente acolhedor e inspirador para o bem-estar de nossas crianças, precisamos também proteger e defender as crianças vitimadas pela violência e toda forma de exploração.</p>
<p>Conto com meus colegas pastores e com todas as pessoas engajadas na luta em favor das crianças. Vamos oferecer a elas ambientes agradáveis, seguros e batizados de vida. Faça da sua casa ou da sua igreja um ninho de vida para as crianças que você pode alcançar.</p>
<p>* Carlos Queiroz, casado, dois filhos, é pastor da Igreja de Cristo, em Fortaleza, CE. É diretor executivo da ONG Diaconia e autor de <a href="http://www.ultimato.com.br/?pg=show_livros&amp;util=1&amp;registro=160" target="_blank">Ser É o Bastante – felicidade à luz do Sermão do Monte</a> (Editora Ultimato, Encontro Publicações, Visão Mundial, 2006).</p>
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<em>Publicado originalmente na revista <a href="http://www.maosdadas.org/?pg=revista&amp;area=revista&amp;num_edicao=23" target="_self">Mãos Dadas nº 23</a> (maio/2009)</em></p>
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		<title>Oração perigosa</title>
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		<pubDate>Fri, 08 Jan 2010 18:19:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>tabata</dc:creator>
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		<description><![CDATA["Senhor, obrigada porque nossa igreja tem tantas crianças com dificuldades físicas e tu nos ensinaste a acolhê-las, e também porque elas se sentem bem e à vontade em nosso meio e participam de todas as nossas atividades." Por Klênia Fassoni]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>por Klênia Fassoni*</em></p>
<p>Há cerca de seis anos, após a apresentação de uma cantata feita por crianças de 6 a 12 anos na Igreja Presbiteriana de Viçosa, meu pai (Elben M. Lenz César, pastor emérito da IPV) foi convidado a orar. Ele expressou a sua gratidão pelas crianças que ali estavam, sua herança cristã, a beleza e a singeleza da apresentação e, como sempre faz, pediu que Deus colocasse cercas de proteção ao redor daquelas crianças que são por natureza frágeis.</p>
<p>Não pude concordar com a parte da oração em que ele disse: &#8220;Senhor, nós te agradecemos porque nenhuma dessas crianças é deficiente ou tem defeitos físicos graves&#8221;. Impregnada com convicções bíblicas, mas também abençoadamente contaminada com as falas de quem luta pela inclusão, critiquei suas palavras duramente, apesar de entender o que ele queria dizer (eu também sou grata por nenhum de meus filhos ter incapacidades físicas). Ele concordou com a minha crítica e apoiou esta oração/sonho que redigi recentemente:</p>
<p>&#8220;Senhor, obrigada porque nossa igreja tem tantas crianças com dificuldades físicas e tu nos ensinaste a acolhê-las, e também porque elas se sentem bem e à vontade em nosso meio e participam de todas as nossas atividades. Obrigada, Senhor, porque elas constantemente nos ensinam que o teu poder se aperfeiçoa na fraqueza.</p>
<p>Ó Deus, traz também para o nosso meio — assim como tu fizeste quando os discípulos discutiam quem seria o maior no Reino dos céus — mais crianças, especialmente aquelas que, além de sua fragilidade natural, estão em situação desvantajosa. Que os filhos desta igreja as recebam de braços abertos e de igual para igual. Que os mais velhos não se incomodem com o barulho nem com a &#8216;desordem&#8217;. Que os adultos não pensem só em termos práticos. Que os jovens e adolescentes saiam um pouco de si mesmos e experimentem a riqueza do mundo da criança.</p>
<p>Que a direção da igreja tenha uma visão e uma agenda em que as crianças estão incluídas, quem sabe, ó Deus, prioritariamente. Que os líderes compartilhem essa visão.</p>
<p>Não permita que nossas roupas, nossa fala, nossa agenda e nosso jeito as afastem. Que aproveitemos com a chegada dessas crianças a oportunidade de ‘encarnação’ e contextualização de que tanto falamos na área de missões transculturais.</p>
<p>Perdoa-nos, Senhor, porque temos quase sempre percebido a criança como receptáculo de nossos ensinamentos. Mais uma vez, revive em nós as palavras de Jesus lembrando-nos de que temos muito a aprender com elas: ‘Se alguém não se tornar como uma criança não pode ver o Reino de Deus’.</p>
<p>Senhor, faça com que acordemos já para o significado e o lugar dos pequenos no Reino, coisas que tu deixaste tão claras na tua Palavra. Dá-nos choro, cinzas e pano de saco diante do sofrimento de milhares de crianças neste nosso país. Desperta as igrejas do Brasil. Diante de tanta miséria a resposta da igreja tem que ser urgente e com adesão maciça.</p>
<p>Ó Deus, tem misericórdia de nós, que pecamos!&#8221;</p>
<p>* Klênia Fassoni faz parte da equipe editorial da revista <em>Mãos Dadas</em> e é diretora administrativa da Editora Ultimato.</p>
<p>_____________________________________________________________________________<br />
<em>Publicado originalmente na revista <a href="http://www.maosdadas.org/?pg=revista&amp;area=revista&amp;num_edicao=18" target="_self">Mãos Dadas nº 18 </a>(novembro/2007)<br />
</em></p>
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		<title>Pastorear as crianças: nosso compromisso</title>
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		<pubDate>Fri, 08 Jan 2010 18:03:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>tabata</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Carlos Queiroz]]></category>
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		<category><![CDATA[pastor]]></category>
		<category><![CDATA[zacarias]]></category>

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		<description><![CDATA[São raros os pastores e pastoras que se dedicam às crianças. Muitas igrejas se transformaram em empresas religiosas... Como as crianças não estão em fase de produção econômica, são relegadas a um plano secundário, ou totalmente esquecidas. Por Carlos Queiroz]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>por Carlos Queiroz*</em></p>
<blockquote><p>Assim diz o Senhor, meu Deus: Apascenta as ovelhas destinadas para a matança. Aqueles que as compram matam-nas e não são punidos; os que as vendem dizem: Louvado seja o Senhor, porque me tornei rico; e os seus pastores não se compadecem delas (Zc 11.4,5)</p></blockquote>
<p>O texto de Zacarias fala de ovelhas destinadas à matança. As crianças têm sido as principais vítimas da matança na sociedade brasileira. Segundo o UNICEF, 16 pessoas menores de 18 anos morrem por dia vítimas de homicídios no Brasil.</p>
<p>Muitos de nossos meninos e meninas tiveram suas infâncias roubadas, seus sonhos perdidos, seu futuro interrompido. São literalmente banidos e excluídos do direito de viver com dignidade. Perdem antecipadamente a infância porque a sociedade acelera os processos naturais de formação de nossas crianças.</p>
<p>São raros os pastores e pastoras que se dedicam às crianças. Muitas igrejas se transformaram em empresas religiosas mantidas por clientes potencialmente capazes de pagar a conta do negócio religioso. Como as crianças não estão em fase de produção econômica, são relegadas a um plano secundário, ou totalmente esquecidas. Se pensarmos nas crianças pobres, o problema fica mais grave. Neste caso nem as crianças nem seus pais conseguem pagar a conta do negócio religioso.</p>
<p>Se somos seguidores de Jesus Cristo, precisamos praticar o pastoreio de crianças com mais intencionalidade. Entre outros compromissos, Jesus priorizou a criança como a pessoa mais importante do reino de Deus. Zacarias denuncia que “os seus pastores não se compadecem delas”. Escrevo com profundo pesar, indignação e ao mesmo tempo com o desejo de despertar pastores e pastoras comprometidos a combaterem toda forma de violência contra a vida de crianças e adolescentes.</p>
<p>Somos filhos e filhas do reino de Deus e temos por vocação proteger e servir a todas as crianças. É direito delas o acesso a todos os ministérios e serviços do povo de Deus. Precisamos lhes propiciar espaços onde sejam mais percebidas como atores da revelação de Deus e não como objetos dos desejos desumanos e interesses comerciais. Jesus disse: “Qualquer que receber uma criança, [...] a mim me recebe; e qualquer que a mim receber, não recebe a mim, mas ao que me enviou” (Mc 9.37).</p>
<p>A atitude de proteção e cuidado com as nossas crianças é muito mais do que um significativo gesto de amor e justiça para com elas. É uma questão de compromisso com o Deus Eterno, Pai protetor de todas as crianças. Ele as protege por meio de homens e mulheres que resolveram continuar a história da salvação, preservando a vida, cuidando e amando uns aos outros, praticando a justiça contra o opressor. Faça de sua família, sua igreja, sua comunidade um lugar onde o bem vence toda a forma de mal.</p>
<p>Pai! Dá-nos a graça e a coragem para interferirmos contra o assassinato de tantas crianças e adolescentes. Rogo pelas mães que perderam a sensibilidade maternal. Sei que são raras, mas lamento que as situações de injustiça e violência tenham gerado algumas mães tão frias e indiferentes. Peço perdão pela omissão da minha geração. Peço perdão pela indiferença e omissão de nossas igrejas. Como pastor, peço por mim e pelos meus pares. Que o Senhor nos conceda a sabedoria e o engajamento necessários para tornar abundante a vida de nossas crianças e adolescentes.</p>
<p>* Carlos Queiroz, casado, dois filhos, é diretor-executivo da Visão Mundial no Brasil e autor de <a href="http://www.ultimato.com.br/?pg=show_livros&amp;util=1&amp;registro=160" target="_blank">Ser É o Bastante – felicidade à luz do Sermão do Monte </a>(Editora Ultimato, Encontro Publicações, Visão Mundial, 2006).</p>
<p>_____________________________________________________________________________<br />
<em>Publicado originalmente na revista<a href="http://www.maosdadas.org/?pg=revista&amp;area=revista&amp;num_edicao=21" target="_self"> Mãos Dadas nº 21</a> (setembro/2008)</em></p>
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		<title>Santuários de Paz: refúgios contra a violência</title>
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		<pubDate>Fri, 08 Jan 2010 16:59:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>tabata</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[artigo]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[igreja]]></category>
		<category><![CDATA[mãos dadas]]></category>
		<category><![CDATA[Santuários de Paz]]></category>
		<category><![CDATA[violência]]></category>

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		<description><![CDATA[O que uma igreja local é capaz de fazer contra a violência? É difícil responder quando esta violência faz parte da cultura da sociedade ou quando ela está escondida dentro de casa. Seria, na verdade, impossível se a igreja local não fosse chamada por Jesus Cristo para um ministério de reconciliação. Por Lissânder Dias]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>por Lissânder Dias*</em></p>
<p>O que uma igreja local é capaz de fazer contra a violência? É difícil responder quando esta violência faz parte da cultura da sociedade ou quando ela está escondida dentro de casa. Seria, na verdade, impossível se a igreja local não fosse chamada por Jesus Cristo para um ministério de reconciliação (2 Co 5.18-19).</p>
<p><span style="color: #a16aab"><strong>Paz contra a cultura de violência</strong></span><br />
Na Colômbia, país de conflitos armados e outros problemas de violência, há um exemplo do que a igreja local pode fazer em favor da paz. São as igrejas Santuários de Paz, um ministério da Igreja Menonita da Colômbia e do Centro Cristão para Justiça, Paz e Ação Não-Violenta da Colômbia (Justapaz), com sede em Bogotá. O programa, existente há mais de 10 anos, reúne pessoas, igrejas e comunidades de todo o país para desenvolver ações não-violentas. Essas ações incluem, entre outras, aulas em escolas, vigílias de oração, construção de espaços para diálogo e oficinas de capacitação para pastores e líderes de regiões atingidas por guerrilhas, narcotráfico e violência contra as crianças.</p>
<p>A igreja que decide participar do programa é declarada “Santuário de Paz”, e como tal, entre outras ações, oferece acolhida às vítimas de violência. O coordenador do programa, pr. Hernando Padilla, lembra como foi difícil receber um ex-combatente de conflito armado em sua igreja em 1999: “Alguns membros não concordaram e decidiram abandonar a igreja. Mas os membros que ficaram foram preparados para aceitar as novas pessoas”. Além disso, outro problema é que os pastores e líderes que lutam pela paz na Colômbia realmente correm risco de morte. Mais de 40 pastores foram mortos em 2003¹.</p>
<p>A idéia dos Santuários de Paz surgiu do Antigo Testamento, onde é narrado que algumas cidades eram designadas como refúgios para pessoas perseguidas e lugares onde poderiam receber consolação e ânimo. “Da mesma maneira”, diz Jenny Mene, co-diretora de Justapaz, “o modelo se baseia em reconhecer que Jesus Cristo mostrou ao mundo seu evangelho de paz, e o temos como alternativa cristã para a violência”. E Jenne afirma também: “Estamos ajudando as igrejas a responderem de maneira integral à realidade violenta do nosso país”.</p>
<p><span style="color: #a16aab"><strong>Paz contra a violência em casa</strong></span><br />
Outra iniciativa semelhante acontece no Chile. Inspirados no exemplo da Colômbia, o projeto de mesmo nome já existe há mais de três anos e também pretende tornar as igrejas “santuários de paz”, ambientes de segurança. Quem coordena o programa no Chile é a Fraternidade Teológica Latino-Americana.</p>
<p>Segundo Freedy Paredes, coordenador de planejamento e execução do projeto, o objetivo era que as igrejas fossem a primeira opção de acolhimento para as vítimas. Para isso, elas realizam oficinas de capacitação e manifestações públicas pelo bom trato da criança. Toda igreja que adere ao projeto recebe o selo “Santuário de Paz”. Com isso, ela passa a usar a logomarca na identificação do templo e é reconhecida pela comunidade como lugar de refúgio.</p>
<p>A particularidade da iniciativa no Chile é o foco: combater a violência dentro das famílias e o abuso infantil. As parcerias com os governos locais e com outras organizações formam uma rede consistente de proteção das crianças.</p>
<p>A experiência-piloto foi em 2005 no município de Conchalí, em Santiago, e conseguiu envolver quatro igrejas e a população em geral. Atualmente, o projeto está atuando no município La Florida (região metropolitana de Santiago) e reúne cinco igrejas evangélicas, além da prefeitura. “Santuários é um projeto que está mudando a realidade das igrejas, das famílias e da sociedade no contexto em que se desenvolve. Cremos firmemente que o Senhor está abrindo a visão da igreja evangélica, e levando-nos a entender que nossa missão passa pela reconciliação integral de todos e todas, especialmente no contexto onde acontece a violência contra os que não podem se defender”, afirma Paredes.</p>
<p>Se as igrejas locais obedecem aos mandamentos de Deus e utilizam seus dons diligentemente, elas recebem uma capacidade surpreendente de preservar os valores do reino e iluminar os relacionamentos escurecidos pela violência. Qualquer semelhança com “sal” e “luz” não é mera coincidência.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: right"><strong><span style="color: #a1cc3f">Números</span></strong><br />
Segundo o UNICEF e a Human Rights Watch, 11 mil crianças da Colômbia estão vinculadas a grupos armados.</p></blockquote>
<p><span style="color: #a1cc3f"><strong>Leia também:</strong></span><br />
<strong>Cartilha sobre os Santuários de Paz na Colômbia</strong> [<a href="http://www.maosdadas.org/arquivos/file/Recursos%20oferecidos/santuariopaz.pdf" target="_blank">acesse arquivo em pdf</a>]</p>
<p>* Lissânder Dias é coordenador executivo da Rede Mãos Dadas</p>
<p><strong>Nota</strong><br />
1. Fonte: ONG Sal y Luz.</p>
<p>______________________________________________________________________________<br />
<em>Publicado originalmente na revista <a href="http://www.maosdadas.org/?pg=revista&amp;area=revista&amp;num_edicao=20" target="_self">Mãos Dadas nº 20</a> (maio/2008)</em></p>
]]></content:encoded>
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